A mídia nacional e internacional não para de falar no assunto, a rede Globo até chamou um especialista em explosões de restaurantes, que inclusive prestou consultoria à Light para explodir os bueiros recentemente, e ele disse que o restaurante abalou Bangú. A comunidade muçulmana radical aprovou e espera que mais restaurantes judeus-cristãos-ocidentais copiem a idéia!
Por volta das 19H de domingo no Lins, no cruzamento entre a Lins de Vasconcellos e a Villela Tavares, se seguiu o tradicional ritual padrão do carioca: um outro carro fechou o meu, e dele sairam dois meliantes de pistolas (38 só polícia tem) em punho e levaram o meu carro. Eu consegui tirar minha esposa e filha do carro, mas não a carteira (Ainda tinha 9 reais nela!), que eu coloquei na porta do carro porque estava relaxando após um extenuante churrasco na casa
do meu pai.
O que fui fazer no Lins, perguntariam voces. Fui levar a minha cunhada e filha em casa. Depois que as deixei, a duas quadras de distância aconteceu o assalto.
Meu primeiro pensamento foi pensar “Porque não comprei um carro blindado?”, assim que vi o fundo do cano da colt 1911, sete tiros, semi-automática. Pensei em comprar uma destas também.
Meu segundo pensamento foi pegar o carro que eles deixaram pra trás (era melhor que o meu), mas havia testemunhas. Aliás estas mesmas testemunhas, que assistiam a tudo num bar próximo, me disseram que eu havia sido o sétimo do dia. Era só mais um dia normal de “trabalho”.
Alguém chamou a polícia, cuja patrulinha ao chegar ao local, levou o outro carro e cagou pra mim. Revoltado e indignado pela minha carteira, voltei pra casa da minha cunhada. Ah, sim! Minha esposa e filha fora o susto ficaram bem.
Na casa da minha cunhada cumpri outra parte do ritual: cancelar tudo o que pude. Mas a noite estava apenas começando… Após os inúmeros telefonemas, além de ficar puto com o atendente do seguro que me pediu o número da apólice, que eu disse estar escrita em braille no cú de sua santa mãe, meu cunhado que estava no trampo foi avisado e cerca de 20 minutos estava em casa.
“Chato Mor, não tem problema deixa comigo que a genta vai achar o teu carro!” – disse ele.
Após registrarmos a queixa na 23a.DP, fizemos uma alegre visita aos morros locais: “Não olhe pras pessoas, olha só pros carros”. Obedeci. Pouco tempo depois, encontramos meu Kadett, estacionado com cuidado junto com outros ganhados do dia num canto escuro no morro. “É ruim
eu não encontrar carro na minha área!” – disse meu cunhado. “Assim que eu voltar a delegacia vou pedir a ficha dele só por desencargo!” – pensei com meus botões.
Fomos então pra casa da mãe dele, próxima dali encontrar o irmão da minha esposa. PM e truculento (não necessariamente nesta ordem), foi informado do ocorrido pela minha esposa e queria invadir o morro e pegar o carro na marra, com direito a escolta. O marido da minha
cunhada o convenceu a deixar por sua conta pois ia acionar os seus contatos.
Enquanto isso, fui com o meu cunhado PM, de volta a minha casa pra pegar a cópia da chave do carro, em sua moto. Não precisa dizer, que devido a sua qualidade de autoridade, pela situação e por estarmos numa moto, todos os sinais ficaram verdes pra nós, muito embora alguns insistissem em ficar vermelhos. Cheguei chorando devido ao vento no rosto. “capacete, pra que? Sou PM!”. Ele usava um boné. Peguei a chave e voltamos. Juro que minha cabeça passou a alguns
centimetros de um poste de esquina.
Ao chegarmos o marido de minha cunhada estava com um tal “Tiozinho”, seu contato com o submundo e que ia falar com alguém que “é melhor voce não saber quem é”, segundo disse. Subimos mais uma vez nomorro com o carro esposo da minha cunhada. Mas não sem antes meu cunhado PM deixar a sua arma na casa da mãe dele (e eu dar uma bela olhada nos peitões da irmã do esposo da minha cunhada que nos atendeu). Pegamos o carro. A viagem até em casa foi desnecessária: a chave estava na ignição. Esses caras não sabem que tem um ladrão de carros na área?
Voltamos com o carro e o deixamos em um lugar ermo, ou seja na Lins de Vasconcellos mesmo. Meu cunhado PM foi na delegacia dizer que encontrou o veículo e que na qualidade de PM, estaria trazendo-o. Pegamos a minha esposa no caminho, porque o carro está no nome dela (ela paga as multas). Pegamos o número do R.O. e ficamos de voltar na terça, quando o delegado resolve aparecer pra assinar e voltamos pra casa.
Infelizmente a minha esposa tem a mania de colocar todos os seus documentos na minha carteira (pra eu ter o trabalho de carregar), quando sai sem bolsa. Assim foram embora todos eles. Agora estou na última parte do ritual: Conseguir tudo de novo.
Chato Mor
(Sendo assaltado e correndo!)
PS.: Isso NÃO foi ficção!